A Fazenda 17 estreia com seis patrocinadores e parceria inédita com ministério

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Um ministério em um reality show de grande audiência. É isso mesmo. A nova temporada de A Fazenda 17 estreia com seis patrocinadores e um movimento raro no mercado: o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) vai dividir espaço com marcas privadas como Betano, Aurora, Centrum, PicPay e Sapatinho de Luxo. O número de cotas caiu em relação ao ano passado (de nove para seis), mas a aposta é em ativações mais integradas à narrativa do programa.

O pacote comercial foi apresentado na sede do reality, em Itapecerica da Serra (SP). Betano volta como patrocinador máster pelo quarto ano seguido e amplia a presença fora da TV: a marca terá ativações nos perfis de Adriane Galisteu e quer envolver o público na definição de experiências — de festas a desafios, incluindo a dinâmica do fazendeiro. Aurora participa pelo quinto ano, novamente associada à despensa da casa. PicPay, Centrum e Sapatinho de Luxo chegam para ações de visibilidade e engajamento multiplataforma. A novidade que mais chama atenção, no entanto, é a entrada do MDS, uma estreia do governo federal nesse tipo de parceria.

Quem paga o show e como aparece na tela

Segundo a Record, o desenho comercial privilegia cocriação. Em vez de meras inserções, as marcas são convidadas a participar da construção de momentos do programa. Isso vale para ativações digitais, quadros especiais e ambientações na casa. No palco do branded content, a lógica é simples: menos volume, mais relevância.

  • Betano: patrocínio máster pelo 4º ano, quarto tematizado e ativações com a audiência para definir festas e desafios.
  • Aurora: 5º ano na atração, com destaque para a despensa, presença em rotinas da cozinha e interação com o dia a dia dos peões.
  • Centrum: visibilidade em ações ligadas a bem-estar no ecossistema digital da emissora.
  • PicPay: ativações voltadas a engajamento e experiência do público nas plataformas da Record.
  • Sapatinho de Luxo: presença associada a moda e estilo dentro do universo do reality.
  • MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social): inserções com foco informativo sobre programas como Bolsa Família, Cadastro Único, Brasil Sem Fome e Cozinhas Solidárias.

Na prática, a patrocinadora máster aposta na interação para gerar conversa contínua. A meta é transformar decisões de bastidores (como o tema da festa) em escolhas do público via redes, usando a popularidade da apresentadora como ponte. A estratégia mira engajamento orgânico e recorrente — o tipo de lembrança de marca que vale tanto quanto um break tradicional.

Do lado da emissora, a mensagem é que cada cota deve “aparecer vivendo a história” do reality, não apenas colada a ele. O argumento é direto: quando a marca participa do enredo, a chance de fadiga publicitária cai e a audiência percebe mais valor no conteúdo.

O caso do MDS é o ponto fora da curva. O ministério, atrelado a políticas de transferência de renda e combate à fome, quer usar a vitrine do reality para informar e esclarecer dúvidas sobre benefícios e serviços públicos. A promessa é inserir conteúdo de utilidade pública de forma simples, didática e sem destoar do entretenimento — uma combinação pouco comum na TV aberta.

É um movimento que abre discussões. De um lado, o alcance do programa pode levar informação a famílias que nem sempre recebem orientações oficiais por canais tradicionais. De outro, o uso de dinheiro público em entretenimento levanta cobranças por transparência, objetivos claros e mensuração de resultados. A Record não divulgou valores dessa parceria. O que se sabe, por ora, é que a orientação é integrar mensagens do MDS à rotina do público, com linguagem direta e foco em serviço.

Há também o lado político. Em anos eleitorais, a comunicação oficial enfrenta regras rígidas, e parcerias desse tipo tendem a ficar sob lupa extra. A emissora fala em participação “orgânica” do MDS na narrativa — ou seja, nada de blocos desconectados do conteúdo. O desafio será equilibrar informação pública com entretenimento sem que a presença do governo soe proselitista ou protocolar.

Para as demais marcas, o cenário é de menos concorrência dentro do programa e mais espaço para criar. A queda no número de patrocinadores reduz sobreposição de mensagens e abre caminho para ativações mais lembráveis. Em realities, o que fica não é só o logo: é a história ligada a ele — a festa que viraliza, o desafio que pega fogo, a piada interna que vira meme.

Jogo: 26 participantes, dois infiltrados e novas tensões

Jogo: 26 participantes, dois infiltrados e novas tensões

A temporada começa com 26 participantes e um truque de roteiro: dois deles entram como infiltrados. O público saberá quem são antes do elenco — e isso muda tudo. Dentro da casa, os peões terão a missão de desmascará-los. Se falharem, cada infiltrado leva R$ 50 mil. É um prêmio extra que injeta paranoia e estratégia logo nos primeiros dias, com impacto direto nas alianças, nos votos e na percepção do público sobre protagonistas e coadjuvantes.

A direção, comandada por Rodrigo Carelli, aposta nesse suspense para aquecer a estreia. Infiltrados tendem a forçar o elenco a observar mais, conversar menos no automático e questionar pistas que em outras temporadas passariam batido. Para quem assiste, vale acompanhar como as pistas serão plantadas e se a edição vai privilegiar o jogo de gato e rato.

Adriane Galisteu segue à frente do programa com a missão de orquestrar provas, DRs e grandes revelações em tempo real. A apresentação também entra na estratégia comercial: a comunicação com as redes da apresentadora ajuda a estender o alcance das marcas, transformar trechos em cortes virais e manter o tema na timeline mesmo fora do ar.

O cenário em Itapecerica da Serra volta a funcionar como personagem. Espaços tematizados — como a despensa com assinatura da Aurora e o quarto patrocinado pela Betano — criam identidade visual e rendem ganchos de conteúdo (receitas, conversas de madrugada, brincadeiras internas). Ao mesmo tempo, a promessa é preservar o imprevisível: o jogo guia a história, as marcas pegam carona nos acontecimentos.

Se há uma palavra de ordem, é “multiplataforma”. A Record incentiva o público a se envolver por todos os canais, com dinâmicas que atravessam a TV e as redes. Para as marcas, isso significa medir resultado além do Ibope: share de conversa, menções, pesquisas de lembrança. Para o espectador, é convite a participar — votar, sugerir, reagir, cobrar.

O recado de bastidor é que a temporada tenta equilibrar três frentes: entretenimento sem pausa, patrocínios que contam história e uma camada de informação pública que, se bem executada, pode prestar serviço real. A linha é fina. Se os elementos se encaixarem, o programa ganha fôlego extra e as marcas colhem valor de marca, não só de exposição.

Para quem acompanha realities, alguns sinais merecem atenção desde o primeiro episódio: como o público vai interferir nas festas e desafios; de que forma o MDS vai aparecer sem quebrar o ritmo do programa; e como os dois infiltrados vão mexer no tabuleiro. No fim, o que sustenta a audiência ainda é o jogo — mas, nesta temporada, ele vem costurado por uma estratégia comercial que quer ser parte da história, não apenas um intervalo entre cenas.

A estreia está marcada para 15 de setembro, com exibição a partir de Itapecerica da Serra (SP). A partir daí, o roteiro fica por conta dos peões — e da torcida do lado de fora.

Comentários:

Thalita Gomes
Thalita Gomes

O MDS no A Fazenda é o tipo de coisa que só no Brasil acontece.

setembro 17, 2025 at 14:04
Renan Furlan
Renan Furlan

Se isso ajudar gente que não sabe onde pedir ajuda, tá valendo. Melhor que propaganda de cerveja na hora do almoço.

setembro 19, 2025 at 02:16
eduardo rover mendes
eduardo rover mendes

O Betano tá no programa desde a 14, já virou parte da trama. Agora é só questão de tempo até o peão virar afiliado e ganhar comissão por indicação. Eles já estão testando o sistema de cashback na despensa da Aurora.

setembro 19, 2025 at 15:22
Maria Clara Francisco Martins
Maria Clara Francisco Martins

Acho que a gente tá vivendo um momento único. O governo usando um reality como canal de informação pública é uma ideia genial, mesmo que pareça estranho no começo. Imagine uma família que nunca entendeu como funciona o Bolsa Família, e de repente vê um peão explicando na cozinheira, com linguagem simples, sem burocracia. Isso é impacto real. Claro que tem que ter transparência, claro que precisa de avaliação de resultados, mas a intenção é boa. E se o público se envolve, se compartilha, se discute - isso é engajamento que nem campanha de TV consegue. O problema é quando a gente quer julgar sem ver o efeito prático. E se isso levar 100 mil pessoas a se cadastrarem no Cadastro Único? Vale a pena tentar.

setembro 20, 2025 at 00:09
João Paulo S. dos Santos
João Paulo S. dos Santos

Os infiltrados vão ser o pior pesadelo do elenco. Tipo, você já confiou em alguém, virou amigo, e aí descobre que ele tá lá pra te encrencar? Isso vai gerar um drama de verdade. E o público vai amar. Só espero que a edição não exagere e deixe tudo parecendo farsa.

setembro 20, 2025 at 06:02
thiago oliveira
thiago oliveira

A inserção do MDS é um erro conceitual. O governo não pertence a um programa de entretenimento. Isso é uma instrumentalização da política e uma banalização das políticas públicas. A linguagem didática é um disfarce. O que há por trás é uma tentativa de legitimar o governo por meio da audiência. E isso é perigoso. A TV aberta não é um canal de comunicação oficial. Ainda mais quando o conteúdo é patrocinado por empresas privadas. É uma mistura de interesses que viola princípios democráticos mínimos.

setembro 21, 2025 at 01:07
valdete gomes silva
valdete gomes silva

E agora o povo vai achar que o governo tá ajudando porque tá na TV? Enquanto isso, o salário mínimo não anda e os alimentos sobem. Essa é a grande mentira: usar um reality como fachada para parecer que tá fazendo algo. O que realmente importa é o que acontece nos bairros, não na casa da Record.

setembro 22, 2025 at 03:47
Leila Swinbourne
Leila Swinbourne

Acho que o MDS está fazendo o que ninguém mais faz: indo onde o povo está. Não adianta só colocar panfleto na porta da escola ou fazer campanha na rádio. O reality é o novo espaço público. A gente riu no começo, mas quando o peão fala que o Bolsa Família não é esmola, e explica como se inscrever - isso é poder. Não é propaganda, é educação. E se a Betano quer que a gente vote na festa, tudo bem. Mas o MDS quer que a gente entenda o direito. São coisas diferentes. E se a Record não divulgou o valor, talvez seja porque não é um contrato de patrocínio, mas uma parceria de utilidade pública. Que tal dar uma chance?

setembro 22, 2025 at 16:11
Ana Carolina Nesello Siqueira
Ana Carolina Nesello Siqueira

Essa parceria do MDS é o máximo que já vi na TV brasileira. É como se o governo tivesse finalmente entendido que a cultura pop é o novo jornal. O peão tomando café com o assistente social? O programa virando uma aula de direitos sociais? Isso é arte. É poesia política. E se o PicPay pagar para o peão fazer uma live explicando o Cadastro Único? Eu vou assistir. E se a Aurora colocar um QR code na caixa de leite com link do Bolsa Família? Isso é o futuro. Não é comercial. É revolução. E quem não entende isso, tá vivendo no século passado.

setembro 23, 2025 at 01:32
Nessa Rodrigues
Nessa Rodrigues

Se o MDS tá lá pra ajudar, então que seja. Não preciso concordar com tudo, mas não vou torcer contra quem tá tentando chegar onde a informação nunca chegou. Só espero que não vire um comercial disfarçado de serviço público.

setembro 24, 2025 at 21:19