O cenário eleitoral no Rio de Janeiro mudou drasticamente na terça-feira, 24 de março de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu por 5 votos a 2 condenar o ex-governador Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro. A pena é dura: inelegibilidade total até 2030. Isso descarrila os planos de renúncia feitos dias antes, quando ele tentava se livrar do cargo para concorrer ao Senado.
A manobra de última hora que não funcionou
Aqui está o detalhe que muitos perderam de vista: Castro renunciou apenas um dia antes do julgamento. Na segunda-feira, 23 de março, ele deixou o Palácio das Laranjeiras para tentar seguir a regra de desincompatibilização. A lógica era simples, mas falhou. Ele precisava estar fora do executivo seis meses antes das eleições para disputar outro mandato. Só que a decisão do tribunal veio rápido demais para esse cálculo.
Agora, mesmo sem o governo estadual no currículo, ele continua barrado. Aliados ainda sussurram que a estratégia final será bater às portas do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas isso é uma aposta arriscada. Se uma liminar não sair antes da diplomação dos candidatos em outubro, o sonho senatorial esfuma. O risco é o candidato eleito e não ter diploma, travando toda a chapa.
O esquema de contratações revelado pela justiça
Vamos aos números, pois eles contam a história real. Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), o governo do estado contratou 27.665 servidores temporários sem base legal. O montante somou R$ 248 milhões. Não foi dinheiro perdido em obras invisíveis. Foi descentralizado para entidades desvinculadas da administração pública.
A Ministra Isabel Gallotti, relatora do caso no TSE, foi clara ao votar. Ela descreveu o método como um "elaborado esquema". O objetivo? Usar a estrutura do estado para influenciar o pleito de 2022. A defesa tentou argumentar que inaugurações citadas aconteceram antes da campanha, mas a maioria dos ministros viu conexão direta entre os pagamentos e o período eleitoral.
Roda gigante de sanções afeta outros políticos
O processo não parou só no ex-governador. Outros nomes foram atingidos. O deputado estadual Rodrigo da Silva Bacellar (União) teve seus votos anulados. Isso significa retotalização: se ele não sobrar depois da contagem nova, perde o mandato na Assembleia Legislativa. O ex-presidente da Ceperj, Gabriel Rodrigues Lopes, também ficou inelegível.
Houve uma nuance interessante com o ex-vice Thiago Pampolha. Ele foi condenado pelo tribunal, mas escapou da inelegibilidade. O TSE entendeu que Pampolha beneficiou-se do esquema, mas não controlou as rédeas. Esse tipo de distinção costuma gerar debates jurídicos complexos sobre a hierarquia da culpa administrativa.
E o futuro das eleições fluminenses?
A repercussão imediata vai para a arena política. Com Castro fora da jogada oficial, a disputa pelo Governo e Senado do Rio muda de figura. Os partidos agora precisam reposicionar suas estratégias. Mas há um fator externo: a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) pode entrar na mira. O ministro André Mendonça sugeriu investigações mais profundas sobre gestores daquela instituição.
A situação é delicada porque mexe com a confiança nas urnas. Quando o TSE reverte uma absolvição do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), envia sinal forte sobre fiscalização. Em maio de 2024, o TRE havia rejeitado a cassação. Agora, a Corte Superior impôs seu entendimento. O prazo de oito anos começa a contar do pleito de 2022, garantindo que o nome não apareça em nenhuma cédula até 2030.
Frequently Asked Questions
Por que a renúncia de Cláudio Castro não salvou sua candidatura ao Senado?
A renúncia ocorreu após o início da ação penal que resultou na condenação. A inelegibilidade refere-se à conduta verificada durante a gestão anterior, independentemente da posição atual. Mesmo sem ocupar o cargo de governador no momento da votação, a sanção eleitoral alcança o indivíduo pela prática constatada de abuso de poder econômico nas eleições de 2022.
O que significa a retotalização dos votos de Rodrigo Bacellar?
Significa que todos os votos válidos colhidos naquele pleito devem ser contados novamente. Como Bacellar foi declarado inelegível, os votos dados a ele são inválidos. Se esse processo remover quantia suficiente de votos da coligação, o mandato dele é cassado automaticamente por perda de quociente eleitoral ou maiorias necessárias.
Qual é a chance de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF)?
É uma possibilidade jurídica comum, mas estatisticamente difícil de prosperar rapidamente. A defesa precisa provar que houve erro grosseiro na análise de provas do TSE. Além disso, o tempo é contra: mesmo que ganhem uma liminar, ela precisa vir antes da diplomação dos eleitos em outubro para evitar invalidade do resultado final.
Quem são os outros envolvidos no esquema além de Castro?
Além do deputado Rodrigo Bacellar e Gabriel Rodrigues Lopes (Ceperj), o ex-vice Thiago Pampolha foi citado. Enquanto Castro e Lopes têm inelegibilidade integral, Pampolha foi absolvido desse aspecto específico, recebendo apenas outras sanções por benefício indireto. Gestores da Uerj também podem ser alvo de novas investigações.