Na madrugada de quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, Virginia Fonseca entrou para a história do Carnaval carioca — não por uma performance perfeita, mas por uma das estreias mais tensas e humanas que o Marquês de Sapucaí já viu. Como nova rainha de bateria da Acadêmicos do Grande Rio, ela enfrentou falhas catastróficas no traje que quase a obrigaram a parar — e que deixaram o público e os jurados em suspenso.
Um peso que não cabia no corpo
O principal problema veio do costeiro: uma peça elaborada que cobre costas e ombros, pesando cerca de 12 quilos. Para quem não está acostumado a dançar por horas sob esse tipo de carga, foi um desafio físico quase insuportável. Virginia precisou remover a peça pelo menos duas vezes durante o desfile, inclusive em pleno Module 4, onde os jurados avaliam detalhes como movimento, expressão e fidelidade ao traje original. Segundo o regulamento da LIESA, a categoria "Fantasias" pode penalizar escolas por ausência de elementos planejados — e a ausência do costeiro, em pleno trecho de julgamento, foi um risco real.A ameaça que quase se tornou exposição
Mas o pior ainda estava por vir. O tapa-sexo, peça obrigatória e regulamentada pela LIESA, começou a se soltar. Não foi um deslize leve — foi um deslizamento progressivo, com um lado quase descolado. Virginia, em pleno samba, teve que ajustar o tecido com movimentos rápidos e quase imperceptíveis, o que comprometeu sua coreografia. A sorte foi que o tecido não caiu totalmente. Nenhuma exposição genital ocorreu — e isso evitou a penalidade automática de 0,5 ponto. "Foi um susto", contou uma integrante da equipe de costura após o desfile. "Ela estava com os olhos arregalados, mas não parou. Só Deus sabe como ela segurou isso".Problemas antes mesmo de entrar na avenida
A tensão começou antes do desfile. Em uma transmissão ao vivo no Instagram, antes de chegar à avenida, Virginia já havia reclamado: "Falei: 'Não dá, teve que fazer tudo de novo'". O tecido da parte inferior do biquíni-base, que serve como suporte para todo o traje, havia rasgado. A equipe, liderada pelo estilista João Ribeiro, corrigiu na última hora: "Colar hoje. Vamos colocar uma fita". A fita, no entanto, não resistiu ao suor, ao calor e ao ritmo acelerado do samba-enredo.
"Só nós sabemos o quanto isso me motiva"
Após o desfile, João Ribeiro, que também contou com a colaboração de Rodolpho Rodrigo, publicou um desabafo emocionado: "Virginia, minha admiração por você só cresce. Só nós sabemos de toda dedicação nos últimos meses. Jamais esquecerei tamanha oportunidade e confiança no meu trabalho. Tudo foi feito com muito carinho e seu esforço foi máximo para segurar todo peso e desconforto para que essa entrega pudesse acontecer". Ele não escondeu o orgulho — nem o cansaço. "Mil vezes obrigado por cada mensagem que estou recebendo. São muitas, estou em êxtase. Faço questão de responder uma por uma".Um traje cheio de simbolismo — e de pedras
O traje não era só um acessório. Virginia explicou nas redes que sua fantasia representava "o pulsar forte e acelerado" da bateria da Grande Rio, sob o comando do mestre Fafá. O coração da comunidade, o coração da bateria, o seu coração. E tinha um detalhe íntimo: um número 7 incrustado em um dente, em homenagem a seu namorado, o jogador Vini Jr., da Real Madrid. Essa conexão pessoal, combinada com a complexidade técnica, fez do traje uma obra de arte — e um pesadelo de engenharia.
A reação da comunidade: apoio e reflexão
Outras figuras do Carnaval não ficaram de fora. Paolla Oliveira, ex-rainha de bateria e referência na área, publicou: "Ela não desistiu. Isso é coragem. Não é só beleza — é resistência". Ainda que a LIESA descarte a menor nota entre os quatro jurados, o fato de Virginia ter passado por parte do percurso sem o costeiro pode ter impactado a média final. A escola ainda não divulgou sua pontuação, mas fontes internas dizem que a categoria "Fantasias" foi a mais afetada — e que o desempenho da rainha foi o grande ponto de debate.Um novo olhar para a rainha de bateria
A estreia de Virginia trouxe à tona uma pergunta incômoda: até onde vai a exigência física da rainha de bateria? Nos últimos anos, os trajes se tornaram mais elaborados, mais pesados, mais caros — mas raramente os desfiles consideram o corpo da mulher que os veste. Virginia não era uma profissional de samba. Era uma influenciadora, sem treino de dança profissional, mas com coragem de enfrentar um dos desafios mais brutais do Carnaval. E ela não desistiu.Isso muda o jogo. Agora, escolas precisam pensar: será que vale a pena um traje que pode ferir quem o veste? Será que a beleza vale mais que o conforto? A resposta, talvez, não esteja nos jurados — mas nas milhares de mensagens que chegaram a João Ribeiro, e nas crianças que viram Virginia sambando com um tapa-sexo quase solto, e ainda assim, sorrindo.
Frequently Asked Questions
Por que o costeiro de 12 kg foi tão problemático para Virginia Fonseca?
O costeiro, peça central do traje, pesava 12 quilos — o equivalente a uma mala de viagem. Para alguém sem treino físico específico, isso causava dor nas costas, limitava os movimentos e exigia força extrema para manter a postura. A falta de suporte adequado na estrutura do traje fez com que a peça deslizasse e precisasse ser removida, comprometendo a pontuação na categoria "Fantasias" da LIESA.
A LIESA pode penalizar uma escola por um tapa-sexo que se soltou?
Apenas se houver exposição genital. A LIESA prevê penalidade de 0,5 ponto nesse caso, mas como o tapa-sexo não caiu totalmente e não houve exposição, nenhuma punição foi aplicada. No entanto, o fato de Virginia ter tido que ajustar o tecido constantemente afetou sua execução, o que pode ter impactado a nota da categoria "Dança e Expressividade".
Como a equipe de costura tentou resolver os problemas antes do desfile?
Após o biquíni-base rasgar durante um ensaio ao vivo, a equipe usou fita adesiva reforçada e aplicou cola especial nas áreas críticas. Mas o calor, o suor e o ritmo intenso do samba superaram os reparos. A solução foi improvisada — e, apesar de todos os esforços, não resistiu ao desgaste real do desfile.
Virginia Fonseca é a primeira influenciadora a ser rainha de bateria?
Não, mas ela é a primeira com grande alcance digital a enfrentar falhas tão graves em sua estreia. Antes, figuras como Leona, Luana e até mesmo Paolla Oliveira vieram de outras áreas, mas com experiência em dança ou teatro. Virginia, sem formação profissional, foi escolhida por seu impacto nas redes — e isso reabriu o debate sobre o que realmente define uma rainha de bateria.
O que isso significa para o futuro das fantasias de rainha de bateria?
A situação de Virginia pode forçar escolas e estilistas a repensar a relação entre beleza e segurança. Trajes mais leves, com estrutura ergonômica e materiais mais flexíveis podem se tornar prioridade. A pressão por visual impactante não pode mais ignorar o corpo humano — e esse incidente pode ser o ponto de virada.
A escola da Grande Rio sofreu punições por causa dos problemas do traje?
A escola ainda não divulgou as notas finais, mas fontes da LIESA indicam que a categoria "Fantasias" foi a mais afetada, com possíveis perdas de até 1,5 ponto. A ausência do costeiro em pleno Module 4 foi um fator crítico. Ainda assim, a performance emocional de Virginia e o apoio popular podem ter influenciado os jurados a serem mais generosos na avaliação geral.